18.9.06

O CARNAVAL DOS CÔMICOS DA TV

Como confirmação do que já vinha acontecendo ao longo dos últimos anos, o carnaval de 1960 foi inundado por diversas músicas interpretadas por cômicos advindos da televisão, já em franco processo de popularização. Claro que os grandes intérpretes ainda se fizeram presentes com maior ou menor sucesso, mas é digno de nota que os dois maiores sucessos do ano foram marchinhas gravadas por comediantes que brilhavam na TV. No entanto, ótimos sambas – poucos, na realidade – também foram gravados para esse carnaval, território proibido para os comediantes por motivos óbvios.


Nessa última categoria, Jamelão foi o grande destaque desse carnaval, lançando dois sambas que se tornaram clássicos carnavalescos, O Samba é Bom Assim, de Hélio Nascimento e Norival Reis, e Fechei a Porta, de Sebastião Motta e Ferreira dos Santos.


O Samba É Bom Assim, lado A de um 78 rpm que trazia, no lado B, outro ótimo samba – Esta Melodia –, de autoria do próprio Jamelão em parceria com Bubu da Portela, recentemente resgatada por Marisa Monte, com letra razoavelmente extensa para uma melodia carnavalesca, foi um dos sambas mais executados pelas rádios e muito cantada nos salões:
“Pra mim, pra mim
O samba é bom
Quando cantado assim
(Pra mim!).

Ai eu vou-me embora
Que me dão para levar
Levo penas e saudades
No caminho vou chorar.

Dou-lhe tapa, dou-lhe murro, estouro
Não faça cara de choro
Pra ninguém falar
Lhe dou uma surra
Lhe jogo no mato
Pra bichinho lhe apanhar
(Pra mim!).”

Homenagem a Jamelão.



Fechei a Porta
também fez história na MPB; foi regravada por diversos intérpretes de peso, uma das melhores na voz do cantor Miltinho, em seu LP de estréia, Um Novo Astro. Também foi regravada por Beth Carvalho, uma sambista de peso por lançar novos compositores no cenário musical brasileiro e, também, por tirar do esquecimento diversos sambistas pesos pesados, algums completamente esquecidos pelo grande público.
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“Eu não quero mais amar
Pra não sofrer ingratidão
Depois do que eu passei
Fechei as portas do meu coração.
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Eu dei pra ela todo o carinho
E no entanto acabei sozinho.”
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Beth Carvalho interpretando Fechei a Porta.





Uma linda cantora e boa intérprete, Aracy Costa, foi quem lançou o samba Favela Amarela, de Jota Júnior e Oldemar Magalhães, cuja letra tem a ver com uma curiosa história. Determinado diretor do Departamento de Turismo (Mário Saladini) do Rio de Janeiro teve a intrigante idéia de pintar todos os barracões das favelas com a cor amarela, já que não se podia simplesmente exterminá-las. Segundo ele, isso daria um aspecto “estético” e “higiênico” às favelas e poderia transformar os morros em atração turística. A imprensa logo divulgou o fato, e o burocrata foi logo tachado de “hipócrita” pela maioria dos líderes comunitários e por boa parte da opinião pública. Antenados, Jota Júnior e Oldemar Magalhães fizeram, possivelmente, o mais belo samba desse carnaval:

“Favela amarela

Ironia da vida

Pintem a favela

Façam aquarela

Da miséria colorida.
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Vamos ter melhoramento

A dor como tema de ornamento

Procure compreender, seu doutor

A felicidade não tem cor.”


Jorge Goulart também deixou sua marca nesse carnaval; lança o samba Leva Tudo Contigo, de autoria de Santos Garcia, que, talvez devido à simplicidade de sua letra e de sua melodia, foi uma das mais cantadas do ano:

“Vai, leva tudo contigo

Vai, deixa a saudade comigo.

Leva tua beleza

Que me deu tanta alegria

Deixa pra mim a tristeza

Sofrimento e nostalgia.”

Apesar de fraco e sem inspiração, o samba Fala, Saudade, de Milton Legey e Edu Rocha, gravado por Gilberto Alves, também conseguiu certa repercussão, sendo bastante executada nos salões carnavalescos:

“Fala, saudade
Fala daquela amizade
Que eu perdi
E nunca mais esqueci.

Vendo o tempo passar
Passa a minha vida
Sempre a lamentar
A nossa amizade perdida."


Os melhores sambas do ano foram os acima citados. Também foram lançados, com pouca ou mínima repercussão, Naquela Base (Orlando Correia), Arruma a Trouxa (Zilá Fonseca), Na Base do Amor (Bill Farr), Enquanto Houver Mangueira (Odete Amaral), Não Precisa Bater (Linda Batista), Não Quero Mais Sofrer (Risadinha), Renunciei (Emilinha Borba), A Felicidade (Trio de Ouro, canção não carnavalesca, mas, que foi gravada para esse carnaval) e poucos mais.


***


Quanto às marchinhas, o destaque ficou mesmo para Me Dá Um Dinheiro Aí, de autoria do trio Homero, Ivan e Glauco Ferreira, lançada pelo jovem humorista, revelação da televisão, Moacir Franco.


Natural da cidade mineira de Ituiutaba, Moacir Franco (05.10.1936) iniciou sua carreira artística no ano de 1953; apresentava-se no programa Astros e Estrelas de Amanhã na Rádio Difusora de Uberlândia. Um cantor pouco conhecido, Aluísio Silva, reconheceu algumas qualidades no jovem iniciante, conseguindo-lhe uma vaga para se apresentar na PRK-7, Rádio Club de Ribeirão Preto, São Paulo. À essa época, adorava imitar um jovem cantor norte-americano, que fazia então grande sucesso, o dramático Johnny Ray, além de, também, se apresentar como radioator e comediante.

Em 1958, decide se mudar para o Rio de Janeiro em busca de melhores oportunidades, caindo, na verdade em uma armadilha da sorte; nada conseguiu durante meses e, sem dinheiro e amigos influentes, passou sérias dificuldades financeiras, tendo que dormir, às vezes, até em uma ambulância na garagem da prefeitura, devido à bondade de um conhecido. Não agüentou o tranco e resolveu tentar a sorte na capital paulista.


Por essas ironias dos deuses da sorte, faz um teste na Rádio Nacional de São Paulo, sendo imediatamente contratado devido a sua notável versatilidade. Nessa emissora, atuava em diversas áreas, apresentando-se como cantor, dublador, radioator, locutor e humorista. Foi nesse último campo que ele chamou a atenção do poderoso homem de televisão, Manoel da Nóbrega, cujo programa humorístico Praça da Alegria, da TV Rio, era um dos mais populares do país. Contratado pela emissora, começou a atuar nesse programa, no O Riso é o Limite e no Noites Cariocas. Nessa mesma época, mais uma vez, o inesperado fez-lhe outra surpresa: o escritor e humorista Glauco Ferreira teve que substituir Silva Araújo no programa Rio te Adoro da mesma emissora. Glauco resolve então criar um quadro humorístico para aproveitar a veia cômica de Moacir. Lembrou-se então de um velho pedinte que esmolava na Praça Quinze, que, de forma bastante arrogante, estendia o braço com a mão espalmada à altura do ventre do freguês e, com uma voz rouca, pedia – pedia, não, exigia – “me dá um dinheiro aí”. Moacir seria o mendigo, dividindo a cena com Hiran Lima.


O quadro imediatamente caiu no gosto popular. A cidade inteira, principalmente a garotada, começou a imitar o gesto do mendigo e exigir “me dá um dinheiro aí”, todos logo caindo na gargalhada. O artista mineiro imediatamente entrou na galeria dos jovens humoristas a fazer sucesso na cidade, ao lado de Jô Soares, Catalano, Ronald Golias, Canarinho, Jorge Loredo, Nádia Maria, Antônio Carlos, Sônia Lancelotti e outros mais.
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Para aproveitar a recente fama, Glauco Ferreira, juntamente com Homero e Ivan, compuseram a marchinha Me Dá Um Dinheiro Aí, que se transformou em um fenômeno de popularidade nesse carnaval, vendendo, quase que imediatamente, 100 mil cópias e sendo a mais cantada pelos foliões e a mais executada nos bailes carnavalescos país afora. Seu êxito atravessou os tempos, seu refrão é até hoje reconhecido em todo o país, sempre sendo cantada nos carnavais da saudade:

“Ei, você aí

Me dá um dinheiro aí

Me dá um dinheiro aí(bis).

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Não vai dar

Não vai dar não

Você vai ver

A grande confusão

Que eu vou fazer

Bebendo até cair

Me dá, me dá, me dá (ei)

Me dá um dinheiro aí."


Moacir Franco interpretando Me Dá Um Dinheiro Aí.



Esta música rendeu uma história curiosa; não se sabe quem, mas alguém descobriu nas páginas da revista O Cruzeiro uma foto de Juscelino e do secretário de Estado norte-americano, John Foster Dulles, naquela ocasião em visita ao Brasil. O presidente levantava-se da cadeira com a mão espalmada para cima, na horizontal, enquanto o secretário o esperava, de pé, braço semi-estendido, só que com a palma da mão para baixo. Não se sabe como, mas o Jornal do Brasil conseguiu a foto e a estampou em sua primeira página.


Reza a lenda que foi José Ramos Tinhorão, o furibundo crítico da música popular brasileira, quem fez o título que acompanhava a foto. Nessa época, Me Dá um Dinheiro Aí estava no auge de seu sucesso. Foi o bastante para que Tinhorão colocasse o texto “Me dá um dinheiro aí" para ilustrar a foto. Também reza a lenda que Juscelino teria ficado tão irritado com a foto e o pequeno texto que teria deixado de assinar uma das concessões de canais de televisão do Rio de Janeiro que estavam sobre sua mesa – a do Canal 2 – para o Jornal do Brasil, ao mesmo tempo em que concedia outra, o Canal 4 (então praticamente concedida à Rádio Nacional do Rio de Janeiro, em uma operação que até hoje causa celeuma), às Organizações Globo.


Outro humorista que atravessava momentos de grande popularidade – Ronald Golias (1929 – 2005) – também conseguiu muito sucesso com uma marchinha de João de Barro, o Braguinha, intitulada Ô Crides.


Um dos cômicos pioneiros da televisão brasileira, Golias, natural da cidade de São Carlos, iniciou sua carreira artística ainda nos anos 40, fazendo parte de um grupo de acróbatas aquáticos, o Aqualoucos que se apresentava em shows em piscinas pela cidade. Golias sugeriu ao grupo que o show poderia ter uma parte falada, para enriquecê-lo. Ele se destaca nessa parte, o que lhe valeu um convite para participar do programa Calouros em Cena na Rádio Cultura, porta de entrada para uma emissora mais rica e poderosa, a Rádio Nacional. Isso no início da década.


Como acontecera com seu principal rival, Moacir Franco, ele chama a atenção de Manoel da Nóbrega, que logo a seguir (1956) o convida para trabalhar no seu programa humorístico televisivo o Praça da Alegria. Seu primeiro personagem marcante da televisão, Pacífico, apareceu em 1956, criando o famoso bordão "Ô Cride" que virou coqueluche na cidade.

Em 1957, ele faz sua estréia no cinema, participando do filme Um Marido Barra Limpa, dirigido e interpretado pelo iniciante cineasta Luís Sérgio Person, que, não se sabe por que, não o terminou. Renato Grechi, mais tarde, rodou novas cenas, reeditou-o e lançou-o com seu nome na direção. Nesse filme, Golias também contracena com Machadinho, a estrela da televisão Meire Nogueira, Maria Vidal e outros mais. O filme, quando lançado, passou despercebido, mas o nome de Golias, graças à televisão, se tornava cada vez mais conhecido.


Vou te Contá, de 1958, outra comédia que fez um sucesso mediano, dirigida por Alfredo Palácios, foi seu segundo filme, dessa feita atuando ao lado de Pagano Sobrinho, Chocolate, Maria Vidal, Milton Ribeiro, Dorinha Duval, a lindíssima Luely Figueiró, Francisco Negrão e um elenco de cantores e conjuntos do rádio, dentre eles, Dalva de Oliveira, Carmen Costa, João Dias, Isaurinha Garcia, Herivelto Martins, a vedete Virgínia Lane e Jorge Veiga.


Em seu terceiro filme, Os Três Cangaceiros (1959), veículo para o novo astro das chanchadas, Ankito, Golias já encarna seu personagem “Bronco”, que o projetaria por toda a vida. Dirigido por Vítor Lima, com um enredo que conta a história do farmacêutico Aristides (Ankito) e do fotógrafo Bronco (Golias), habitantes da pequena e pacata cidade de Desterro, que ficam em situação perigosa quando a cidade é invadida por cangaceiros sanguinários, o filme também fez pouco sucesso, tornando, porém, a imagem de Golias mais conhecido no interior do país, aonde a televisão ainda não chegava. Nessa produção, Golias atua também ao lado de outra estrela da televisão, Neide Aparecida, do grande compositor e ator Adoniran Barbosa, alem de Wilson Grey, Edson Campos, Paulo Copacabana, Grande Otelo, Nelly Martins e grande elenco.


Com sucesso cada vez maior na televisão, nesse ano de 1960, Golias ganha seu primeiro papel de protagonista no cinema, interpretando, novamente, o personagem Bronco, no filme Tudo Legal (enredo de Vítor Lima e Manoel da Nóbrega), direção de Vítor Lima e trazendo no elenco Jaime Costa, Marina Marcel, Jô Soares, Jece Valadão, Nelly Martins, o onipresente Wilson Grey e com números musicais a cargo do Trio Irakitan, Ivon Cury, Francisco Carlos, o brotinho Sônia Delfino, novo ídolo da juventude carioca, e Roberto Luna.


A marchinha Ó Crides também se tornou um fenômeno de execução, constituindo-se no segundo maior sucesso desse ano dentre as marchinhas carnavalescas:

“Ó Crides que coisa louca
O broto que eu encontrei
Roubou minha capacidade
Ni minimis, ni minimis
Me apaixonei.

Laura, Dolores
Odete, Inês
Agora vou mudar de amores
Sabem o que mais?
Cric! p’rocês.”


Emilinha Borba veio com um disco contendo duas ótimas marchinhas para esse carnaval, Menina Direitinha, de Rutinaldo, Brasinha e Vicente Amar, lado A do 78 rpm, e Vedete, de Valdir Machado e Rubens Machado, no lado B. A cantora ainda continuava a mandar recados do “stablishiment” às garotas para se comportarem, a fim de não caírem nas garras dos jovens gaviões brasileiros, em pleno processo de mudança de comportamento.
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Apesar da oportunidade de sua letra, muito bem feita por sinal, retratando o medo das famílias de classe média, naquele momento passando pelo fenômeno da “juventude transviada”, Menina Direitinha não conseguiu obter o sucesso que a cantora esperava. Sociologicamente falando, porém, é muito superior às músicas lançadas pelos humoristas acima citados pelo que representava de uma época de transição de costumes:

“Menina direitinha
Que pensa no futuro
Não chega tarde em casa
Nem namora no escuro.

Não anda em garupa de lambreta
Sem ordem da mamãe ela não sai
Ai, ai, ai, menina
Cuidado pra você não dar desgosto pro papai
(menina)”
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Emilinha Borba interpretaria Menina Direitinha na chanchada carnavalesca Entrei de Gaiato, veículo para Zé Trindade e Dercy Gonçalves, filme em que também se apresentavam diversos outros cantores com suas marchinhas, Aracy Costa (Carnaval na Lua), Blecaute (Maria Brasília), Grande Otelo (Umbigo de Vedete), Linda Batista (Vai Que é Mole), Moacir Franco (Me Dá Um Dinheiro Aí), Zé Trindade (Cobra Que Não Anda), Dircinha Batista (Meio Mundo, de Dora Lopes, J. Mascarenhas E J. Piedade), Joel de Almeida (Linda Brincadeira), Carlos Galhardo (Cachopa), dentre outros.

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Emilinha Borba interpretando Menina Direitinha.



Outra marchinha de razoável destaque foi a maliciosa A Maria Tá, de Haroldo Lobo, Jair Noronha e Milton de Oliveira, gravação de Walter Levita:

“A Maria tá
Tá sim senhor
Quem disse que tá
Foi o doutor.
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Que bom que eu vou ser pai
E o papai vai ser vovô
Se for homem, eu vou botar meu nome
Se for mulher, é Brigitte Bardot.”

Uma revista do teatro de rebolado intitulada É Bububu no Bobobó fazia espetacular sucesso no Teatro Recreio do Rio de Janeiro. Aproveitando o tema, a dupla Armando Cavalcanti e Ivo Santos compôs a marchinha homônima É Bububu no Bobobó, que, na voz de Marlene, obteve também bastante êxito:

“É bububu no bobobó
É bububu no bobobó
No tempo da minha avó
Peruca chamava chinó.

Garota que não tem herança
Nem ganha pela letra Ó
Que vai passar natal na França
Na casa de uma tia-avó.
É bububu no bobobó
É bububu no bobobó.”

A eleição do rinoceronte Cacareco para vereador em São Paulo, gesto que se tornou assunto em todas as rodas ao longo de todo o país, ensejou que Risadinha e José Roy compusessem a marchinha Cacareco, que, na voz do próprio Risadinha (1921 - 1976), se transformou em um dos sucessos desse carnaval:

“Ca-ca-ca-ca-re-co
Cacareco, Cacareco é o maior
Ca-ca-ca-ca-re-co
Cacareco de ninguém tem dó.
Eu encontrei o Cacareco
Tomando chope com salsicha e rabanada
Mas lá no bloco da vitória ele gritava
Aqui, Gerarda, aqui, Gerarda”.

Ouça Risadinha interpretando a marchinha Cacareco.


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E não se poderia esquecer de Linda Batista, que, a essa altura, se constituíra em cantora basicamente de carnaval. Vai Que é Mole, composição de Haroldo Lobo, em parceria com Milton de Oliveira, foi outra marchinha que conseguiu se destacar nesse carnaval:


“Se ela passa, pisca o olho e bole, bole
Vai que é mole, vai que é mole.

Mulher é feito pudim
Geléia ou rocambole
Não vai pensar que é duro
Vai que é mole, vai que é mole.”

Linda Batista interpretando Vai que é Mole.




Composta para o teatro de rebolado, e aproveitando expressões então na moda, Max Nunes, J. Maia e Laércio Alves compuseram Dando Sopa, uma marchinha muito bem feita e espirituosa, sucesso na voz da escultural vedete Gracinda Miranda:

“Quando ela passa todo mundo grita opa!
Todos sabem que ela vive dando sopa.

Ela dá sopa e não trabalha em restaurante
Ela dá canja e não trabalha em hospital
Ela dá sorte sem tirar a sorte grande
Ela dá bola e não joga futebol.”

Outras marchinhas que poderiam ser citadas: Carnaval de JK (Miguel Gustavo/Altamiro Carrilho), com Carequinha; Seu Talão Vale Um Milhão (Nelson Trigueiro/Elpídio Viana/F. Mesquita), lançada por Zilda do Zé e pelos Quatro Ases e Um Coringa; Umbigo de Vedete (Klécius Caldas/Armando Cavalcanti), com Grande Otelo e Dona Gegê (Miguel Gustavo/Antônio Carlos), gravada pela dupla de sucesso na televisão Antônio Carlos e Sônia Lancelotti.


O carnaval de salão, não obstante a nova realidade televisiva, ainda resistiria por mais alguns anos. A exemplo de diversas áreas da cultura brasileira da década que estava terminando, seus dias de esplendor estavam à beira da morte. Lá para os meados da nova década que então se iniciava, a realidade o sepultaria para sempre, sobrevivendo somente na memória dos mais velhos e nos “revivals” carnavalescos. O mundo mudava. Os desfiles das escolas de samba iniciariam sua irresistível escalada para se tornar a cara definitiva do carnaval carioca.

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