23.8.06

NORA NEY: A ESTRELA DAS PUTAS, DOS MARGINAIS E ...DAS ELITES

As versões apresentadas pelos jornais e revistas sobre o acontecimento eram desencontradas e contraditórias entre si, dependendo da fonte. Alguns falavam em tentativa de suicídio; outros, em indução ao suicídio, ou seja, tentativa de assassinato.
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Fosse qual fosse a verdade, tornou-se o assunto do momento, comentado em todo o Brasil. Nora Ney, cantora relativamente desconhecida, já beirando os 30 anos e com apenas um disco de 78 rpm já gravado, se tornara o foco de todas as atenções da imprensa, principalmente da mais sensacionalista. O leitor comum, porém, ainda ignorante do que se passava, se perguntava: quem era essa tal de Nora Ney, cujo nome andava na boca de todo mundo?
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Nora Ney era, na verdade, Iracema de Sousa Ferreira (1922 - 2003), carioca de Olaria, portanto suburbana como Emilinha Borba, Ângela Maria, Carmélia Alves, Elisete Cardoso e quase todas as outras cantoras brasileiras, que tinha um sonho desde menina: transformar-se em uma cantora de grande sucesso popular, ouvindo o povão cantar suas músicas. Seus sonhos se tornam mais factíveis, depois de ganhar um violão do pai, quando consegue tirar de ouvido a música Valsa de Cristal, que as irmãs Stella e Andiara aprenderam em suas aulas de música. Por essa época, seus ídolos são Aracy de Almeida e o galã Mário Reis. Por ser bastante temperamental, fugindo de casa amiúdemente para vagabundear por todo o bairro, a menina Iracema despertava a ira do pai, Dácio, que lhe dava constantes surras.
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Seus pais, mineiros de Rio Novo, desde que se casaram, vieram para o Rio de Janeiro, onde viviam uma típica vida da baixa classe média, não passando dificuldades financeiras, mas também levando uma vida bastante regra da, às vezes nem dando para comprar os presentes no natal das meninas, apesar da família ser endinheirada, o avô, fazendeiro e advogado. Seu Dácio carregava sacos de mercadoria no comércio, até quando, por intermédio do pai, consegue um emprego na Câmara dos Deputados como arquivista. A mãe era uma mulher forte e instruída, também filha de fazendeiros, arruinados pela crise do café dos anos trinta, reflexo no Brasil do crack da bolsa de Nova Iorque. Formara-se em enfermagem e ajudava nas despesas da casa trabalhando em hospitais.
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Após a morte do avô, mudam-se do subúrbio para a cidade, mais precisamente, para o bairro do Flamengo. Iracema tem 15 anos. Estuda no Colégio Amaro Cavalcanti, situado na Praça Mauá, terminando por se formar em contabilidade no Instituto Rui Barbosa, no Largo do Machado. É uma época de alegrias e descobertas para a jovem Iracema. Namora, freqüenta as praias, participa do time de vôlei do colégio e adora o cinema e as músicas americanas, aprendendo-as rapidamente graças ao seu bom inglês, uma das matérias de que mais gosta, além do fato de que aprender inglês já é importante no meio do pessoal mais abastado.

Enquanto estuda no Amaro Cavalcanti, Iracema sempre dá um jeito de fugir do colégio para cantar no programa de Napoleão Tavares, na Rádio Cruzeiro do Sul. Invariavelmente escolhe uma música americana, que, segundo ela, combina mais com seu timbre de voz. Também, por essa época, começa a freqüentar o programa do "Trio do Osso" (Lamartine Babo, Iara Salles e Héber de Bôscoli, assim chamados por todos serem extremamente magros) na Rádio Mayrink Veiga. Por intermédio de Iara Salles, sempre consegue cantar no programa, já tendo, a essa época, o seu "Babalu", a música My Own (Jimmy McHugh/Harold Adamson), candidata ao Oscar de melhor canção original de 1039, do repertório da famosa cantora infanto-juvenil Deanna Durbin. Seu gosto musical, com o passar dos tempos, começa a mudar, passando a gostar de Dircinha Batista e da cantora mexicana Elvira Rios, que, como ela, tem um voz grave e dramática. Por outro lado, também admira Lúcio Alves e Dick Farney, ambos jovens, fãs, como ela, da música e do modo de cantar norte-americanos, ambos também em início de carreira.
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Deanna Durbin interpretando My Own.



A vida na ribalta, porém, teria que esperar. Ainda bastante jovem, Iracema se casa com Cleido Maia, um
rapaz seis anos mais velho do que ela, alto, moreno, bonito e metido em política. Pertencentes aos quadros do Partido Comunista, Cleido e seu irmão acabam presos, inclusive cumprindo pena, durante a ditadura do Estado Novo. Logo vêm os filhos, Lúcia, que, anos mais tarde, já uma belíssima jovem, se tornará Miss Guana bara, e o garoto Hélio, que, entretanto, não impedem uma nova atividade da mãe, agora mais politizada, já que fora apresentada pelo marido a textos marxistas: alfabetizar operários da construção civil em seu próprio local de trabalho.
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Iracema, entretanto, não demora muito, percebe que o casamento fora um erro. Logo após o enlace, deixa um emprego de contabilista no Colégio Ultra, indo morar em um quarto sublocado, onde passa sua lua de mel. Com o passar dos tempos, Iracema começa a entender melhor o caráter do marido. Apesar de gostar dos filhos, é um desleixado com as coisas do lar. Nunca para em emprego algum, deixando a família preocupada com o futuro. Ao mesmo tempo, e contraditoriamente, Cleido é um homem vaidoso; apesar de não pagar os aluguéis, o que propicia constantes mudanças de casas e apartamentos, ele gosta de uma boa roupa, que sempre tinha de estar imaculada. E, apesar de ganhar razoavelmente bem no jornal Diário Carioca, onde trabalha na seção comercial, a grana é escassa dentro de casa. Não tarda e começa a ficar dependente de bebidas alcoólicas, tornando-se violento e ameaçador. E enquanto Iracema trabalha em casa, o marido é visto acompanhado de figuras femininas pela cidade.
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Em 1946, Norinha trava conhecimento com Lúcio Alves; nessa época de mudanças constantes, é vizinha de apartamento da irmã do violonista Nanai e do pandeirista Miltinho, que, anos mais tarde, seria um cantor de grandes sucessos, Mulher de Trinta (“Você, mulher/ Que já viveu/ Que já sofreu/ Não minta/ Um triste olhar/ Nos olhos seus/ A gente vê, mulher de trinta...”), Palhaçada, Nossos Momentos, Murmúrio, Ri, Poema do Adeus, Mulata Assanhada e uma infinidade de outros. Ambos pertencem ao afamado conjunto Os Namorados da Lua, também lançadores de grandes sucessos; enfim, Lúcio freqüenta a casa da irmã dos companheiros, onde promovem movimentados encontros musicais. Iracema também participa desses encontros, cantava junto com eles, mas pouco sonhando em mudar de vida, conhecendo o marido como conhecia.
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Tudo muda quando conhece Cibele, mulher de Dick Farney. Ambas moram na Urca, terminando por se tornarem amigas. Foi aí que Iracema trava conhecimento com a turma do Sinatra-Farney Fan Club, com nomes que se tornariam ícones de toda uma geração , Johnny Alf, Carlos Manga, João Donato, Paulo Moura, Fafá Lemos, Klécius Caldas e outros. Era a turma americanizada, muitos da alta classe média, a turma do jazz. Nora agora enturmada, muda de gosto, começando a gostar de Ella Fitzgerald e de Sara Vaughan, as damas do ritmo negro norte-americano.




Sara Vaughan interpretando The Nearness Of You.








Ella Fitzgerald interpretando Glad to Be Unhappy.

De vez em quando, o grupo se apresentava em público como amadores. Carlos Manga, futuro cineasta e poderoso homem de televisão, dirige os shows quando apresentados em clubes mais ou menos fechados, como o Fluminense e o Tijuca Tênis Club. Quando Iracema se apresentava, gostava de cantar The Man I Love, de Gershwin, um sucesso eterno. Já madura, não exatamente bonita, mas com uma estampa de “vamp” e mulher fatal que a tornava uma presença marcante onde estivesse, Iracema cantava exatamente como as mulheres fatais norte-americanas. Com essas apresentações, Iracema se torna conhecida para um restrito círculo de fãs. Quando sai à noite com o marido, começa a ser solicitada para se apresentar para o público, cantando as músicas americanas mais em voga no momento. Apesar de a maioria de seus novos amigos serem ainda amadores, todos já tinham um certo prestígio no meio musical. Logo, em 1951, Iracema é levada por Dick Farney, Lúcio Alves e Osvaldo Elias para se apresentar no programa "Fantasia Musical", sob o comando de José Mauro, na Rádio Tupi. Seu repertório é só de músicas em inglês, cantando sob o pseudônimo de Nora May. Pela primeira vez, Iracema tem um dinheiro ganho por ela própria.





Ella Fitzgerald interpretando The Man I Love.



Foi então que Aracy de Almei
da, que tinha um quadro denominado “Viva o Samba” no programa G-3, de Haroldo Barbosa, uma das principais atrações  da emissora, sai de férias. Iracema logo é pensada como substituta da famosa sambista. O problema é que Iracema teria de cantar em português, o que a apavora, por considerar sua voz grave e cheia de erres, o que, segundo seu pensar, a incapacitaria de cantar os sambas com a classe de sua companheira de profissão. Apesar de tudo, fica combinado que ela cantaria Último Desejo, de Noel Rosa. Haroldo Barbosa, impressionado com a voz da cantora, chegando a comentar que ela até poderia fazer escola, sugere-lhe um repertório à base de Dorival Caymmi e Noel Rosa.

Maria Rita interpretando Último Desejo.


O nome def
initivo de Nora Ney veio de forma involuntária; uma fã mineira, uma das primeiras a escrever para a Tupi solicitando mais participações de Nora, escreve Nora Ney ao invés de Nora May, seu pseudônimo até então. E assim, Nora, a essa altura com 30 anos, bela e madura, estava prestes a se tornar estrela.





Ainda em 1951, através do Maestro Copinha (e por indicação de Caribé da Rocha), Nora é convidada a assinar um contrato para se apresentar no Copacabana Palace para cantar na boate Midnight, localizada dentro do famoso hotel. O problema era que seu marido não aceitaria sem mais nem menos uma mulher, mãe de família, cantar em boates. Nora Ney, por isso, recusa o convite, indicando a jovem e maravilhosa revelação Dóris Monteiro, ainda menor, para se apresentar em seu lugar. Cantando em francês, a jovem Dóris de pronto é contratada. O sonho parecia terminar para Nora Ney.





No entanto Caribé não desiste; insiste com o marido da futura estrela que a boate era uma das mais sofisticadas do Rio de Janeiro, freqüentada pela alta sociedade e que o ambiente era mais do que respeitoso. Só assim Nora consegue o emprego. Apresenta-se ainda no programa "Ritmos da Panair" que, para sua sorte, era retransmitido do Copa pela Rádio Nacional. Obviamente, isso era meio caminho andado rumo à emissora líder em audiência em todo o Brasil. E o empurrão foi dado por Marlene. Ex-cantora da boate, amiga de Caribé da Rocha, a cantora, então por cima da carne seca na Nacional, insiste com o poderoso chefão, Vítor Costa, para assistir à apresentação de Nora. O contrato sai logo depois. Seis mil cruzeiros, uma quantia modesta em termos de grandes nomes, mas praticamente a liberdade de Nora. Além do mais, cantar na Nacional abria diversas portas, o que permitia altos ganhos para os contratados.
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Daí para a gravadora Continental foi um pulo. Em maio de 1952, Nora lança seu primeiro disco em 78 rpm; no lado A, Menino Grande, de Antônio Maria e, no lado B, Quanto Tempo Faz, um samba-canção de Paulo Soledade e Fernando Lobo. Menino Grande, a música escolhida para ser trabalhada, não estoura como sucesso popular, mas permite uma sobrevida à Nora, tornando-a um pouco mais conhecida do grande público.
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No final de agosto, Nora lança um novo disco em 78 rotações: no lado A, a valsa Amor, Meu Grande Amor, de H. Crolla, com verso em português de Caribé da Rocha. No lado B, Ninguém me Ama, com música de Fernando Lobo e letra de Antônio Maria, que se transformaria em uma das mais representativas canções de um ritmo que ganhava enorme força, no limiar dos anos 50, exatamente quando Nora Ney estava para estourar, o samba-canção:


“Ninguém me ama
Ninguém me quer
Ninguém me chama
De meu amor A vida passa
E eu sem ninguém
E quem me abraça
Não me quer bem.

Vim pela noite tão longa
De fracasso em fracasso
E hoje, indiferente de tudo
Me resta um cansaço
Cansaço da vida
Cansaço de mim
Velhice chegando
E eu chegando ao fim.

Ninguém me ama
Ninguém me quer.”
Nora Ney interpretando Ninguém me Ama.

O sucesso foi avassalador, o maior desse ano de 52, desbancando outros grandes êxitos, tais como Kalu (Humberto Teixeira), com Dalva de Oliveira, Alguém Como Tu (José Maria de Abreu/Jair Amorim), com Dick Farney, Baião Caçula (Mário Genari Filho), com Canhoto e seu Regional, Nunca (Lupicínio Rodrigues), com Isaurinha Garcia, Me Deixa em Paz (Monsueto Meneses), com Linda Batista, Dominó (Jacques Plante e Paulo Tapajós) e Jezebel (Wayne Shanklin e Caribé da Rocha, cantada no original por Frankie Laine) , ambas com Jorge Goulart, Mano a Mano (J. Razzano e E. Flores, versão de Giuseppe Ghiarone), com Albertinho Fortuna, Coimbra (José Galhardo/Raul Ferrão, com Ester de Abreu, uma bela cantora portuguesa que fez bastante sucesso à essa época, Fim de Comédia (Ataulfo Alves), com Dalva de Oliveira, dentre outros, tornando Nora Ney conhecida em todo o Brasil.
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Frankie Laine interpretando Jezebel.

Edith Veiga interpretando Fim de Comédia.



Bibi Ferreira interpretando Coimbra.



Flávia Fontenelle interpretando Kalu.



Dick Farney interpretando Alguém como Tu.



Joana interpretando Nunca.



Teresa Cristina e Seu Jorge interpretando Me Deixa em Paz.



Grupo Chorus de Londrina interpretando Lata d'Água.



Adriana Varela interpretando Mano a Mano.



Antes, porém, do lançamento do disco, as coisas dentro de casa se precipitam. Em fins de julho, começo de agosto, os 
jornais começam a estampar em letras garrafais que a conhecida cantora estava em estado de coma, em estado gravíssimo, vítima de uma tentativa de suicídio. Segundo alguns jornais, ela teria ingerido 30 comprimidos entorpecentes para se livrar de uma vida cheia de problemas e agressões dentro do lar. Outros, entretanto sugeriam que o que acontecera de verdade fora uma tentativa de assassinato, sendo o marido o culpado, já que ele teria induzido a esposa a praticar tal gesto.

Em depoimento à polícia, Nora disse que o casal estava vivendo em constantes brigas e agressões em virtude do marido não aceitar sua profissão. Além do mais, os nervos do marido estavam à flor da pele, desempregado e passando por dificuldades financeiras ao mesmo tempo em que percebe a mudança da mulher, começando a ganhar bastante dinheiro. Destemperado, ele não consegue segurar a barra, e, em um gesto de desespero, compra alguns vidros de comprimidos entorpecentes e, sob a ameaça de uma faca, a obriga a ingeri-los.

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Nora ainda conta que a gota d'água fora o fato de que o marido a flagrara conversando com uma amiga ao telefone, exatamente reclamando do que se passava dentro de casa, a falta de pagamento de aluguéis, mesmo quando o dinheiro saia de seu próprio trabalho, as constantes brigas etc. Enraivecido e sem controle, Cleido a obriga ao gesto extremo. Os vizinhos, acostumados com as constantes brigas do casal, notaram que algo estava errado naquele dia. Depois de chamarem por Nora por um tempo, entram no apartamento e encontram a cantora desacordada, parecendo morta. Logo providenciam sua ida para a Casa de Saúde Santo Antônio, onde, constatado a intoxicação, denunciam o fato à polícia.
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Por outro lado, Cleido Maia também tinha sua versão, desmentindo a cantora. Segundo ele, Nora tomara os comprimidos por conta própria e na medida exata para não morrer, tudo isso em busca de publicidade, visando ao lançamento do novo disco que ela acabara de gravar. O fato, inclusive, poderia ser comprovado pelo médico, doutor Cunha Melo, pois, a seu conselho, comprara os comprimidos para acalmar a cantora, visando facilitar a extravasão de um "complexo artístico" de sua esposa que, gostando de cantar e não podendo fazê-lo abertamente devido às coisas do lar, vivia acabrunhada e triste dentro de casa, nervosa mesmo. Os comprimidos teriam a função exatamente de acalmá-la. A cantora, em virtude de sua vida mundana, de cantora da noite, já fazia uso de entorpecentes, a dose excessiva, um descuido, ou pior, um fato calculado.
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Os jornais e revistas mais sensacionalistas insistiam em outros fatos e motivos. Segundo se dizia, o “pivot” de toda a história, na verdade, teria sido o cantor Jorge Goulart que, conhecendo a cantora no Copacabana Palace, onde atuavam juntos, iniciara com ela um romance fulminante, logo sabido pelo marido. O tempo viria confirmar o romance. Daí a pouco, estavam juntos, permanecendo casados até o raiar do novo milênio, um dos romances mais duradouros do meio artístico. Por isso, não demora, Nora, de vítima passa a acusada. Pelos padrões morais da época, as cantoras nada mais eram do que prostitutas disfarçadas, e quando um fato como esse acontecia, a culpa só poderia ser delas. Desse jeito, Nora começa a ser acusada de tudo, de ser uma mulher relapsa no lar, de abandonar os filhos à própria sorte e de várias outras coisas.

O fato é que, ou pelo escândalo em que se transforma o episódio, ou mesmo devido às qualidades da música e da voz de Nora, Ninguém me Ama, vai, paulatinamente, subindo nas paradas de sucessos, até se tornar um êxito nacional, tornando a cantora uma celebridade em todo o Brasil.
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A partir desse episódio, o nome de Nora Ney estará, indelevelmente, associado, até pelo estilo, com a boemia, com a noite, com as bebidas e com a solidão. Torna-se imediatamente a cantora preferida dos párias da sociedade, das putas e dos presidiários. E, contraditoriamente, das elites freqüentadoras da noite, compradora de discos e, muito mais importante, com bastante influência na mídia.
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Norinha, nesse ano de 1952, está realmente com tudo. O tempo, senhor da razão, é que diria se a cantora veio para ficar ou era somente outro fenômeno de mídia.