15.9.06

A CONSOLIDAÇÃO DO ROCK AND ROLL NO BRASIL

Em meados desse ano de 1959, uma adorável garota paulista chamada Celly Campelo, com apenas 17 anos, tomou o país de assalto, ao colocar sua gravação da versão da música Stupid Cupid, de Neil Sedaka e Howard Greenfield, com o nome de Estúpido Cupido, em primeiro lugar de todas as paradas de sucessos brasileiras, suplantando os maiores sucessos do ano, personificados nas músicas Quem É? (Osmar Navarro/Oldemar Magalhães), interpretada por Osmar Navarro; Balada Triste (Dalton Vogeler/Esdras Silva), sucesso nas gravações de Agostinho dos Santos e Ângela Maria: A Certain Smile (Sammy Fain/Paul Francis Webster), com Johnny Mathis; , sucesso na voz do ídolo romântico do momento, Anísio Silva; Deusa do Asfalto (Adelino Moreira), êxito nacional de Nelson Gonçalves; Jambalaya (Hank Williams), música que lançou a cantora norte-americana Brenda Lee ao estrelato; Petite Fleur (Bob Crosby), com o próprio autor e orquestra, um dos poucos sucessos instrumentais no país; Quero Beijar-te as Mãos (Lourival Faissal/Arcênio Carvalho), outro sucesso espetacular de Anísio Silva; Smoke Gets in Your Eyes (Jerome Kern/Otto Harbach), enorme sucesso com o grupo vocal The Platters; A Felicidade (Antônio Carlos Jobim/Vinícius de Moraes), na voz de Agostinho dos Santos; Dindi (Tom Jobim/Aloysio de Aliveira), com Sylvia Telles; Lacinhos Cor de Rosa (do original Pink Shoe Laces, de Mickie Grant, em versão de Fred Jorge), com Celly Campello; Perfume de Gardenia (Bienvenido Granda), também com o próprio autor; King Creole (Jerry Leiber/Mike Stoller), um dos primeiros grandes sucessos de Elvis Presley no Brasil; Ciclone (Adelino Moreira), interpretado por Carlos Nobre e diversos outros.


Neil Sedaka interpretando Stupid Cupid.


Connie Francis interpretando Stupid Cupid.



Celly Campelo interpretando Estúpido Cupido.


Trilha sonora da novela Estúpido Cupido, com destaque para Quem É ? (Osmar Navarro).

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Pedro Aznar interpretando Balada Triste.

Johnny Mathis interpretando A Certain Smile.



Brenda Lee interpretando Jambalaya.

Sidney Bechet interpretando Petite Fleur.

Cascatinha e Inhana interpretando Quero Beijar-te as Mãos.

The Platters interpretando Smoke Gets in your Eyes.

Astrud Gilberto interpretando A Felicidade.

Miguel Cervantes interpretando Perfume de Gardênia.


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Elvis Presley interpretando King Creole.


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Sylvia Telles interpretando Dindi.
Celly Campelo interpretando Lacinhos Cor de Rosa.


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Dodie Stevens interpretando Pink Shoe Laces.

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Nascida Célia, Celly Campelo (1942 – 2003), paulista de Taubaté, se transformou em um fenômeno de popularidade por todo o Brasil, ao se tornar a primeira cantora brasileira a obter sucesso cantando o rock and roll em português e em inglês. Ainda muito jovem, já possuía um programa próprio na Rádio Cacique de sua cidade, porta de entrada para que, em 1956, mudasse para São Paulo, juntamente com o irmão (Sérgio) Tony Campelo, também cantor de rock, que logo estaria cantando no conjunto do acordeonista Mário Gennari Filho. Em 1958, com apenas 16 anos, lança seu primeiro compacto que trazia, de um lado, Forgive Me (Mário Gennari Filho/Celeste Novaes), interpretada pelo irmão, Tony Campelo, e, do outro lado, Handsome Boy, também de autoria de Gennari Filho e Celeste Novaes, sua primeira incursão no mundo dos discos.

Reza a lenda que Tony, como integrante do conjunto de Mário Gennari, iria gravar ambas as músicas do compacto, substituindo a crooner do conjunto, Celeste Novaes, também autora de ambas as letras, mas que, no entanto, não cantava bem em inglês, diferentemente dos dois irmãos, hábeis na língua de Tio Sam. Acontece que, naquele tempo, era “impróprio” um cantor interpretar uma canção, cuja letra falava em um “garoto bonito”. Tony, então, convenceu seus pares de que sua irmã caçula, com inglês fluente, seria a cantora ideal para a canção Handsome Boy. Todos ficaram encantados com a graciosidade da mocinha, resultando em que sua gravação, que comporia o compacto no lado B, terminasse sendo o lado A do disco. Digno de nota é o fato de que ambas as canções foram compostas em inglês, com resultado abaixo da crítica, diga-se de passagem.

Nesse mesmo ano de 1958, ela estrearia na TV Tupi de São Paulo, participando do programa Campeões do Disco, ao mesmo tempo em que grava seu segundo disco pelo selo Odeon, trazendo as canções Devotion, um fox-trot de Otto Cesana, e o beguine O Céu Mudou de Cor, outra canção de Mário Gennari Filho, em parceria com Ed Rossi. Apesar de já ser notada pelo público jovem, ávido por novidades no campo do rock and roll, ainda era uma cantora relativamente desconhecida, o que não a impediu de ser convidada para apresentar, junto com o irmão Tony, na TV Record, em 1959, o programa Celly e Tony em Hi-Fi, um dos primeiros programas da televisão brasileira a ter como objetivo conseguir a audiência do público jovem.

Stupid Cupid, gravada no ano anterior, 1958, por uma jovem cantora norte-americana de ascendência italiana chamada Connie Francis, grande influência da jovem Celly, que se tornou a coqueluche da moçada estadunidense, fenômeno de popularidade e estouradíssima em todas as paradas de sucessos norte-americanas (e brasileiras), composta pela dupla Neil Sedaka (também nas paradas brasileiras com duas músicas, The Diary e Oh! Carol) e Howard Greenfield, ganhou uma versão feita por Fred Jorge (que se especializaria em versões, tendo alcançado muito sucesso em 1958 com a versão de Diana, de Paul Anka, gravada por Carlos Gonzaga, um dos primeiros ídolos da juventude brasileira) que se tornou um sucesso instantâneo perante o público jovem, transformando a jovem cantora na nova estrela da juventude brasileira:

"Oh! Cupido, vê se deixa em paz
Meu pobre coração já não agüenta mais
Eu amei há muito tempo atrás
Já cansei de tanto soluçar
Hei, hei, é o fim
Oh, cupido pra longe de mim.
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Eu dei meu coração a um belo rapaz
Que prometeu me amar e me fazer feliz
Porém, ele me passou pra trás
Meu beijo recusou e o meu amor não quis
(Oh, oh, cupido)
Hei, hei, é o fim
Oh, cupido pra longe de mim.
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Não fira um coração cansado de chorar
A flecha do amor só trás angústia e a dor.
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Mas, seu cupido o meu coração
Não quer saber de mais uma paixão
Por favor, vê se me deixa em paz
Meu pobre coração já não agüenta mais
(Oh, oh, cupido)
Hei, hei, é o fim
Oh, cupido pra longe de mim.”

Neil Sedaka interpretando The Diary.

Neil Sedaka interpretando Oh! Carol.



Paul Anka interpretando Diana.


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Estúpido Cupido ainda estava entre as músicas mais vendidas e executadas no país, quando a jovem estrela, novamente, vai para o topo das paradas, lançando Lacinhos Cor de Rosa, outra versão feita por Fred Jorge a partir do original Pink Shoe Laces (Mickie Grant), sucesso nas paradas norte-americanas com Dodie Stevens. Lançaria também, nesse mesmo ano, seu primeiro LP intitulado exatamente Estúpido Cupido, outro fenômeno de vendagem. Estavam assim abertas as portas para o sucesso do rock and roll no Brasil. O rock “comportado”, diga-se de passagem, muitos rock-baladas, sem nenhuma chama incendiária. O rock and roll que chegou ao Brasil na verdade se espelhou no rock domesticado norte-americano, cujas maiores expressões eram Neil Sedaka, Paul Anka, Pat Boone, Bobby Darin, Don Taylor , Frankie Avalon, Dion, Dodie Stevens, Brenda Lee, Conway Twitty e diversos outros.

Só que, como visto anteriormente, o rock no Brasil já tinha a sua historia, uma jornada que já estava completando cinco anos, contando a partir do lançamento de Rock Around the Clock pela cantora Nora Ney em 1955.

Tudo começara realmente em 1954: nesse ano, dois acontecimentos quase simultâneos mudaram para sempre a história da música popular no mundo inteiro: Bill Haley and His Comets gravam a antológica Rock Around the Clock (Max C. Freedman/Jimmy de Knight), um single que fracassou junto ao público, vendendo pouco mais que setenta mil cópias nos Estados Unidos. Seu destino, porém estava traçado. Em 1955, a música foi incluída na trilha sonora de Sementes da Violência (Blackboard Jungle), filme de Richard Brooks, trazendo nos papéis principais Glenn Ford e Anne Francis e um elenco de jovens que logo se destacariam como Sidney Poitier, Vic Morrow e Paul Mazursky, sendo apresentado logo na abertura da película. O resultado é história: as platéias jovens e brancas ficavam alucinadas com a canção, transformando as salas de cinema em pistas de dança, com o conseqüente vandalismo e muita quebradeira.

Bill Haley and His Comets interpretando Rock Around the Clock.



O jornal Folha da Tarde, atual Folha de São Paulo, de 21.12.1956, cometeria uma das maiores gafes da história do rock no Brasil. Segundo o prestigiado jornal, o filme Ao Balanço das Horas, lançado em 1956 na esteira do sucesso da música no filme supracitado, interpretado por Elvis Presley (???), teria sido interrompido pela polícia devido à algazarra promovidos pelos jovens:


"A polícia interrompeu ontem a sessão de 'Ao Balanço das Horas' devido à algazarra promovida por jovens na sala de exibição. O filme, com Elvis Presley (sic), apresenta o novo ritmo norte-americano, o 'rock and roll'. Proibidos de dançar, os joven gritavam, xingavam guardas e soltavam bombinhas.
O delegado decidiu retirar os menores de 18 anos da sala, que começaram a dançar na entrada do cinema. Revoltados os jovens desligaram trólebus e subiram em muros e nos pára-choque dos carros (...)"
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Menos de três meses depois, o caminhoneiro Elvis Aaron Presley – o "branco com voz e alma de negro" –, que não participou de Ao Balanço das Horas, entrava nos estúdios da Sun Records para gravar That's All Right (Mama), originalmente gravada pelo bluesman negro Arthur "Big Boy" Crudup. Começava a nascer e tomar forma o rock and roll, mudando o comportamento dos jovens em todo o mundo.

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Elvis Presley interpretando That All Right (Mama).


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No Brasil, o início do rock and roll já foi contado anteriormente, quando se tratou da cantora Nora Ney, a primeira cantora brasileira a gravar o novo ritmo da juventude. Nesse mesmo ano, Júlio Nagib, um especialista em versões, fez uma letra em português para Rock Around the Clock, gravada, em novembro de 1955, por Heleninha Silveira pelo selo Odeon, aqui recebendo o nome de Ronda das Horas. Quase ao mesmo tempo, também no fim desse ano, o selo Columbia lança a mesma música em gravação do acordeonista Frontera; ambas as gravações não tiveram repercussão junto ao público jovem, passando completamente despercebidas pelo público comprador de discos. E para surpresa de muita gente, o cantor romântico Agostinho dos Santos, atravessando nesse momento grande popularidade no país, grava, pelo selo Polydor, em 1956, a versão de outro sucesso de Bill Halley – See You Later, Alligator (R. Guidry) –, aqui recebendo o nome de Até Logo, Jacaré, versão essa feita pelo mesmo Júlio Nagib. Obviamente, o cantor viu que aquela não era mesmo a sua praia, voltando imediatamente para seus sambas-canções e suas músicas românticas.
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Bill Halley interpretando See You Later, Alligator.

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Também, como já visto, no ano seguinte, mais precisamente em 30 de janeiro de 1957, o cantor Cauby Peixoto, nesse momento o cantor mais famoso do país, entra para a história do rock and roll brasileiro, ao gravar, pela RCA Victor, o 78 rpm que trazia Rock and Roll em Copacabana (Miguel Gustavo), lançado em maio desse ano, ao mesmo tempo em que, curiosamente, a pianista Carolina Cardoso de Meneses, nesse mesmo mês, também lança seu rock, intitulado Brasil Rock, de autoria da própria pianista.
Cauby Peixoto interpretando Rock and Roll em Copacabana.
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Estes foram os pioneiros. Só que nenhum dos artistas acima citados realmente desenvolveu uma carreira no rock and roll. Tal galardão ficaria historicamente com o primeiro conjunto de rock do país – Betinho e Seu Conjunto –, que gravou, em abril de 1957, Enrolando o Rock, uma composição do líder da banda, Alberto Borges de Barros, o Betinho (que utilizou uma guitarra Fender Stratocaster), em parceria com Heitor Carillo, que mostrou sua cara ao participar da trilha sonora do grande sucesso de público e crítica Absolutamente Certo (1957), de Anselmo Duarte, um clássico das chanchadas brasileiras.

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Betinho e seu Conjunto interpretando Enrolando o Rock.
Logo em 1958, Cauby interpretaria o mesmo Rock em Minha Sogra é da Polícia, um filme dirigido por Aloísio T. de Carvalho e que contava no elenco com Violeta Ferraz, Costinha, Wilza Carla, Carlos Tovar e outros. O fato curioso da apresentação desse número musical reside na presença de um dos integrantes do grupo: os que mais prestaremm atenção, poderão reconhecer no violonista que acompanha Cauby um jovem iniciante chamado Roberto Carlos, que, alguns anos depois, seria considerado o rei da juventude brasileira, além de Erasmo Carlos e Carlos Imperial.

Cena de Minha Sogra é da Polícia, onde aparecem Roberto e Erasmo Carlos.

Aí aparece o cantor Carlos Gonzaga. Já um artista veterano, aos trinta e quatro anos, em 1957, o cantor gravaria, pela RCA Victor, o LP Quisera lhe Dizer, onde interpreta desde versões de sucessos do conjunto vocal The Platters, como Só Você (Only You), de Buck Ram e Ande Rand, e Meu Fingimento (The Great Pretender), também de Buck Ram, versão de Haroldo Barbosa, até guarânias, nesse caso, a música Anahí, versão feita por José Fortuna a partir do original de J. O. Sosa Cordeiro, também sucesso na voz de Cascatinha e Inhana.


Em 1958, sua gravação de Diana, versão de Fred Jorge para o original com o mesmo nome, composição do ídolo norte-americano Paul Anka, um dos primeiros fenômenos de popularidade da juventude ao longo do mundo inteiro (sua gravação de Diana entra na parada da revista Billboard em junho de 1957, nela permanecendo por 18 semanas, substituindo a canção Tammy, gravação da então namoradinha da América, Debbie Reinolds, como a número um no país), estoura em todas as paradas do país, tornando-o um dos maiores cartazes da música jovem do Brasil, não obstante sua idade, naquela época considerada provecta pelos jovens. A “ditadura” da juventude estava também começando a se consolidar por essas bandas:

Não te esqueças, meu amor
Que quem mais te amou fui eu
Sempre foi o teu calor
Que minha alma aqueceu
E num sonho para dois
Viveremos a cantar
A cantar o amor, Diana.
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Nos teus braços sem querer
Quase sempre vou parar
Não consigo te esquecer
Oh! Diana vem sonhar
E eu te quero, meu amor
Vem trazer-me o teu calor
Vem viver pra mim, Diana.
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Vem querida, minha vida
Vem depressa eu, e eu te espero
E eu te quero com paixão
Oh! oh! oh! oh! oh! oh! oh! oh! oh! oh!
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Only you pode fazer-me feliz
Only you é tudo aquilo que eu quis
Para mim tu és a felicidade
E sem ti eu morrer de saudade.
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Vem amor, oh! oh!
Vem amor
Por favor, oh! oh!
Vem pra mim
Vem viver pra mim, Diana
Pra mim, Diana
Pra mim, Diana.”
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Carlos Gonzaga interpretando Diana.
Abertas as trilhas para o novo ritmo da juventude, começam a aparecer novos ídolos. O primeiro a se destacar e ganhar reconhecimento popular foi o carioca Sérgio Murilo (2/8/1941 – 19/2/1992), que já estava na lida artística desde os 12 anos, idade com que se tornou animador de um programa infantil na TV Rio que lhe abriu as portas para cantar no programa Os Curumins da Rádio Tamoio. Como se destacasse dos demais, ganhando vários títulos de melhor cantor, começou a atuar em outro programa da mesma emissora, O Trem da Alegria, indo diretamente para os estúdios de Watson Macedo, participando do filme Alegria de Viver (1958), veículo de Macedo para sua sobrinha, Eliana Macedo. O sucesso do cantor junto à juventude chamou a atenção do animador de auditórios Paulo Gracindo, que o convidou para se apresentar em seu programa. Daí para sua primeira gravação foi um pulo. Contratado pelo selo Columbia, lança, nesse ano de 1959, seu primeiro 78 rpm, que trazia, no lado A, a toada Mudou Muito (Edson Borges/Enrico Simonetti) e, no lado B, o samba-canção Menino Triste, do mesmo Edson Borges, seu descobridor e autor de canções interpretadas por Dolores Duran, sua parceira em algumas músicas, Luiz Cláudio, Alaíde Costa, Leni Caldeira, Duo Guarujá, João Dias, Lana Bittencourt e outros. Para um ídolo jovem, todavia, tais músicas nada representaram em termos musicais, porquanto Sérgio, na Rádio Nacional, já começava a cantar músicas no estilo “rock-balada”, tão a gosto dos irmãos Campelo.
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Seu estouro nacional aconteceria mesmo ainda nesse ano de 1959, quando lança seu segundo 78 rpm, contendo a balada Marcianita (José I. Marconi/Galvarino V. Alderete), um dos grandes sucessos do ano, e que seria regravada, mais tarde, por Raul Seixas (1973), no LP Os Maiores Sucessos da Era do Rock:
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“Esperada marcianita
Asseguram os homens de ciência
Que em dez anos mais, tu e eu
Estaremos bem juntinhos
E nos cantos escuros do céu falaremos de amor.


Tenho tanto te esperado
Mas serei o primeiro varão a chegar até onde estás
Pois na Terra sou logrado
E em matéria de amor eu sou sempre passado para trás.


Eu quero um broto de Marte que seja sincero
Que não se pinte, nem fume
Nem saiba sequer o que é rock and roll.
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Marcianita, branca ou negra
Gorduchinha, magrinha, baixinha ou gigante
Serás meu amor
A distância nos separa
Mas no ano 70 felizes seremos os dois.”

Sérgio Murilo interpretando Marcianita.


O cantor, no entanto, não aproveitou como deveria sua fulminante ascensão ao estrelato; Não muito tempo depois de ser eleito o “Rei do Rock Brasileiro”, e ter lançado outros grandes sucessos, ao invés de consolidar sua carreira no Brasil, nesse momento em que a muitos jovens cantores estavam se lançando na vida artística, Roberto Carlos e companhia por exemplo, preferiu saiu em excursão para diversos países da América do Sul, sendo, inclusive, escolhido como o cantor mais popular no Peru em enquete nacional. Quando voltou, a realidade musical era outra. Novos ídolos apareceram, novas faces se tornaram mais conhecidas pelos brotos brasileiros. Seu tempo de estrelato terminara em um tempo recorde. Nunca mais ele se recuperou desse fato, tornando-se uma pessoa amarga e rancorosa, morrendo com pouco mais de 50 anos.

Sérgio Murilo em diversos vídeos de sua carreira sul-americana.

Balada de un Hombre Sin Rumbo.


Abandonado.



Campanitas del Altar.



Domingo de Sol.



Baby Adornado.



Tù Seràs.



Estava, assim, aberto o caminho para a renovação de tudo o que então se fazia em termos musicais no Brasil, para o bem ou para o mal. A partir dos últimos anos da década de 50, todo o panorama musical brasileiro nunca mais foi o mesmo. Coincidindo com a popularização da televisão, maior abertura do mercado brasileiro aos produtos internacionais e o surgimento da bossa nova, novos ídolos tomaram de assalto os corações da juventude brasileira, alguns comandando programas destinados somente para a juventude, lançando modas e alterando comportamentos, que, daí a alguns anos, desaguariam em um programa de televisão que seria um divisor de águas na história da música popular brasileira: a Jovem Guarda.

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